Renata é Filha, Irmã e... Cunhada.

Renata maltrata, trata, destrata e grata -  (Parte 1)

Renata destrata (mais que o normal) - (Parte 2)



O carnaval está chegando e lembrei de uma história muito escrota da época, que ocorreu há três anos com minha querida Paty. Nesta época eu nem tinha muita coisa contra a Patrícia, até simpatizava e tal, meu único problema de lei sempre foi a Karol, que desde o primeiro ano de namoro com o Gu já pensava que era mais filha da minha mãe do que eu.
Neste ano minhas preces foram atendidas e a dita-cuja foi despachada pro interior dela... Mas ainda restava uma: Patrícia, vulgo Paty do orkut.
Minha família resolveu alugar uma casa na linha verde. Meus pais, Gustavo, Marcos, Eu, Paty e... as gêmeas irmãs de Patrícia. As três levaram mais bagagem do que eu e minha família inteira. Muito mais. E quem foi dirigindo o outro carro com o combo? Sim, eu, Renata linda, "loira de farmácia" e maravilhosa. (Sim, antes de ser "ruiva de farmácia" eu era loira)
Não tenho nada contra gêmeos, não mesmo, até porque eu sou gêmea do Marcos - 30 minutos de diferença, o mapa astral nem combina direito e ele não foi preguiçoso só pra nascer - mas elas falam igual, se vestem igual e eu estava realmente com medo de ser assassinada lá na casa de praia, ou que elas matassem toda minha família, eu já tinha um filme de terror pronto na cabeça assim que comecei a dirigir com as duas no banco de trás.
Até aí estava tudo lindo, estupendo.
Chegamos lá, arrumamos tudo. 5 quartos na casa e eu fico com qual? O quarto ao lado das gêmeas. O outro quarto era cama de solteiro e eu sou espaçosa demais... Mas ainda aí não havia grandes problemas, como podem ver estou vivíssima e contando a história para vocês.
No dia seguinte, seis horas da manhã (SIM, SEIS HORAS) Patrícia me entra no quarto com um sorriso maior que a boca de palhaço que ela tem praticamente gritando:
- CUNHAAAA, VAMOS ANDAR DE BICICLETA COM AS GÊMEAS O DIA TA LINDOOOOO
"Linda vai ficar tua cara quando eu esfregar na trilha" Quase respondi.
- Poxa Paty, eu queria dormir mais
- E EU VOU DEIXAR MINHA CUNHADA LINDA PERDER UM DIA DESSESSS????? LEVANTAA
E pronto. Patrícia me fez cócegas, puxou meu cabelo, tirou meu cobertor, abriu a janela. Tarde demais pra recuperar meu sono.
- Tá bom (Inferno) eu vou
Agora olhem... Quando eu e o Marcos tínhamos 10 anos a gente apostou uma corrida de bicicleta no play da minha avó. Corrida que eu ganhei, mas na chegada eu caí e ralei minha perna inteira. Inteira mesmo, do começo da coxa até o calcanhar. Minha mãe tomou nossas bicicletas e desde então eu não tinha tocado em mais nenhuma.
Pra a Alegria da Paty (Que gritou de felicidade quando ela entrou na casa viu) o dono da casa deixa as bicicletas da família lá, e autoriza o uso.
Tudo bem, eu tomei banho, me arrumei e desci pro térreo. Quando eu fui comer alguma coisa, patrícia me puxou pelo braço e disse:
- Na na na! Vamos logo!
E lá fui eu andar de bicicleta com Paty e as gêmeas em jejum.
O resto eu posso resumir com as seguintes palavras: Terror, agonia, sono, fome, sol escaldante, calor, sede, tontura e cansaço.
As gêmeas saíram em disparada me deixando com a Paty. Lembrem que eu não andava de bicicleta tinha uns 10 anos.
Eu cansei muito rápido, e a gente já estava longe quando minha pressão baixou e a patrícia não sabia o que fazer. Minha visão escureceu, meu estômago revirou... Eu não conseguia dar mais nenhuma pedalada, então começamos a andar de volta.
Quase no fim do caminho eu vomitei, e a Patrícia começou a chorar e começou a confusão porque ela é fresca e isso e aquilo e não sabia o que fazer e ela correu pra dentro de casa atrás de alguém pra me carregar.
Veio o Marcos me enchendo o juízo chamando de sedentária e etc.
Eu, estressada e passando mal larguei:
- Sedentária porra nenhuma, a jumenta da sua namorada que me fez sair com fome.
E aí começou a guerra da Paty.
Minha mãe, que sempre madruga, me fez um café da manhã maravilhoso e agora eu pergunto:
Eu to errada em chamar a jumenta de jumenta?
Até hoje minha querida ciclista (porque ela acha que pedalar uma vez na vida faz dela uma atleta né) usa o incidente pra se fazer de vítima.
"Ai Marcos, você sabe que sua irmã me detesta, lembra do dia da bicicleta..."
"Sogrinha pode deixar, você sabe que a Renata depois do dia da bicicleta começou a me detestar..."

Aí depois quando dormiu no meu quarto sem minha autorização achou ruim que eu fiz barraco.
É cada uma que meus irmãos me arrumam.

Tempo ao Vento e Lento

(Então... Comecei a escrever esse em maio ou abril, e hoje resolvi olhar meus rascunhos. Continuei, melhorei, consertei e segura na mão de Deus e vai.)

Estava ouvindo Slow Dancing In a Burning Room.
Os olhos cansados passeavam pela linda manhã exibida em uma janela de hotel, e eles não estavam preparados para aquela cidade, por mais bonita que parecesse. Uma coroa de flores estava pendurada na terceira árvore da esquerda, junto com um desejo: Cor. Sim, cor. A cor que o céu estaria pela noite. Não cinza, como todas as noites anteriores, mas sim, preto. Ausência total de luz, o que seria uma mentira apenas pelo fato de que esperava-se uma noite explodida de constelações. Ensaiou uns passos de dança, enquanto cantava um pouco da letra.
Bateram a porta.
Um bilhete em um envelope que cheirava baunilha. Uma foto de família, com duas crianças e dois adultos, e pareciam felizes como em um comercial de margarina. Será que estavam mesmo?

Pensou no dia em que nasceu, naquela história repetitiva do céu totalmente carregado, de um engarrafamento e do pai chorando enquanto segurava uma filmadora na sala de parto. Será que conseguiria um dia, dar a alguém tudo o que não teve? Suprir necessidades que não competem apenas a aquela pessoa? Um final considerado feliz? As lágrimas escorriam. Responsabilidades eram comuns, mas... Ser responsável por outra pessoa?
E se eu magoar? E se doer muito?

E riu.

Há alguns anos, não ria, e sim chorava. Entregou sua felicidade, feriram. Não seria capaz de fazer o mesmo, ou simplesmente ignorar que aconteceu, as olheiras ficaram por um bom tempo... Sumiram.
Calçou os chinelos e foi até o jardim, pegou a coroa e vestiu. As lágrimas ainda escorriam, e começou a se vestir entre peças claras e algo azul. Fez questão de abrir por si só o estojo de maquiagem, e fazer o que quisesse.
Pés de galinha que ainda não existiam eram fantasiados, e cor as bochechas ganhavam.
Pálida como a lua, não ganhava cor, apenas contraste com os cabelos pintados, que também estavam dois palmos mais curtos.

Não queria ver ninguém, estava nervosa. O sorriso se transformou em uma lágrima gorda e pensou "Dá tempo de fugir".
Mas... E se fugir?
E veio uma voz conhecida dizendo que fugir era atrasar a felicidade, retardar responsabilidades.
Mas e se não quisesse ser responsável?
Não existe não querer, tem que ser.

Meu sonho de tulipa

Eu tava aqui olhando uns girassóis na internet e o artificial que a minha mãe tem em casa, e eu não lembro de ter visto um na minha vida inteira. Posso ter visto, mas não lembro. Também não lembro de ter visto a flor que eu acho mais bonita na vida - Tulipa.

Isso me fez perceber o quão presa eu sou. Não só eu, mas muita gente nunca viu nem metade das coisas que acham bonitas.
Pessoas que nunca sentiram o cheiro do sal no mar, nunca andaram na areia e nunca brincaram de falar e soltar fumaça de frio.
Gente que nunca viu o sol nascer ou nunca teve tempo para vê-lo se pôr.
E a vida é muito curta pra não viver esses momentos.

É triste, sabe? Não fazer um castelo na areia.

Isso, castelo na areia. Aquele que alguém sempre pisava ou desmontava na sua frente. Uma vez, vi um tão perfeito que fiquei totalmente nervosa por não conseguir nem desenformar meu baldinho perfeitamente.
Era como um desses, de filme. Se eu não me engano, foi em um dos meus aniversários em Aracaju, quando eu tinha meus sete anos.
Tinha uma ponte que parecia esculpida, e eu fiquei horas tentando fazer uma igual até me desabar no choro em meio a barraca de praia. Fiz birra por horas pra ver se algum adulto me ajudava a fazer. Não ajudou.
Me calei com uma estrela-do-mar que me deram. Acho que foi o melhor presente que eu tinha ganhado, porque era uma estrela! Pra mim, naquela idade, estrelas do mar eram cadentes que haviam caído.
Eu não ligava mais pra barbies, pollys ou qualquer outra coisa. Brinquei com minha estrela por anos, e feliz! Também tive pedras, conchas anos mais tarde, que tinham alto valor emocional, e assim vai. Meus maiores apegos emocionais, na verdade, não tinham lá valor muito alto.
E sabe o que é melhor?
Perceber que são coisas como essas, flores, estrelinhas, cheiro de sal, abraços... São as melhores coisas que se podem ter.

Eu ainda vou ter uma Tulipa.

O que esta pulga já viu?

Uma pulga qualquer, que pula de casa em casa, de cachorro em cachorro e já viu mais coisas do que eu. Mas... O que esta pulga já viu?

A pulga estava cansada de ver brigas, pessoas se desgostando e crianças chorando, e continuava a pular. Já viu mulher espancada e gente violentada, viu menino agredido e menina batendo em gato, mas a pulga sabia que encontraria beleza. Tornou a pular.
Depois de tanto tempo pulando, a pulga desistiu. Desistiu de ver pessoas lutando por direitos sem serem atendidas, desistiu de ver protestos que não são levados a sério, desistiu de ver sofrimento.
E decidiu virar amor.
A Pulga cantava sonetos e enviava cartões. A Pulga levava paz onde quer que passasse, mais pessoas vendo o nascer do sol, menos brigas e mais compreensão, mediação.
A Pulga gostava de levar chocolates, pedir pizza, ver filmes, trazer memórias da infância.
Ela gostava de consertar corações.

A Pulga mudou, decidiu não ficar mais quieta e ser alguém, mas ela sabe que sem colaboração, não pode mudar nada.

A pulga é um ser vivo qualquer, e pode ser qualquer um que queira.
Eu, você, seu cachorro, a moça da limpeza, o guarda...
Só basta ser.

Assombro

Quando tudo fica escuro, a luz volta em algum momento, é certo.

Vejamos em um apagão. A energia acaba e você fica sem luz, sem água gelada, sem banho quente, internet... Sem as coisas que você estima serem essenciais pra você. De primeira é até divertido, o 3G ainda está pegando, da pra enviar algumas mensagens, jogar, usar a lanterna pra procurar as velas. Passa um tempo e nada de voltar, nisso, a sua bateria já está no final e bate o desespero: Como eu vou carregar o celular. Depois você sente sede, e a água está natural... Sente fome, e tem que procurar - no escuro - alimentos que não necessitem de aquecimento.
O que te resta é tentar dormir e rezar pra a luz voltar na madrugada.
Chega a insônia, o calor da noite e a vontade de tomar banho, mas o banho tem que ser totalmente gelado. E no escuro, tudo fica mais perigoso, a probabilidade de escorregar no sabonete é maior. Resumindo: Você vai para cama com sono, calor e fome. E se debate na cama até dormir. No dia seguinte, o sol aparece. A energia volta um pouco depois, e tudo volta ao normal.

Eu acabei de descrever com detalhes, o que acontece nos períodos mais sombrios de uma forma amenizada, a única diferença é que ninguém sabe quando a luz vai voltar.

Não conto reconto, eu espalho


Vamos sair da fantasia hoje, que pra mim o assunto é sério.

O mundo é cruel, a vida é cruel.
Nesse último mês a quantidade de pessoas no meu facebook que perderam um amigo  ou parente foi surreal, principalmente por todos serem muito jovens.
E isso acaba comigo, de verdade. Eu sei que é algo que ocorre todos os dias com milhões de pessoas no mundo, e que eu nunca vou mudar isso... Mas já que eu não posso mudar, por que não ser amor?

A vida é muito curta pra não ser amor. Não sei se todos que amo vão estar vivos ao final do dia de hoje, amanhã ou depois, mas sei que amo muito, e também não sei o quanto vou viver.
Vamos esquecer a ironia, as picuinhas, as pessoas que não se enxergam no espelho e querem apontar o defeito alheio.
Eu quero ser amor enquanto houver pessoas para amar. Quando não houver, eu vou inventar.

É muito triste viver sem amor.

Um salve aos novos anjinhos no céu.

Renata destrata (mais que o normal)

Para entender, leia : Renata maltrata, trata, destrata e grata

Escrito e publicado na sexta-feira 22 de fevereiro de 2013:

Nota: Antes de qualquer coisa, a operação veneno ainda não obteve sucesso.
Porque crianças são tão insuportáveis?
Minha prima de quatro anos veio passar uns dias aqui em casa (meus pais viajaram com os pais dela), e puta que pariu, já pisei em tanto lego, que se juntar cobre cajazeiras. Mas já arrumei um jeito de me livrar dela – e de outro inferno na minha vida apelidado de Karol – e deixei minha querida cunhada tomando conta da monstrinha.
Neste momento me encontro na casa de uma amiga. Implorei pra poder dormir aqui de todos os jeitos possíveis… Acabei lavando toda a louça. Que a vadia não lavava há no mínimo duas semanas, porque não é possível uma coisa daquelas.
Tudo bem, preferi passar por isso do que ter que aguentar o combo Amandinha, Karol e Paty. (Hoje não tem sexo naquela casa, meus irmãos vão me odiar, e tomara que as cunhadas também) Se bem que, dessa vez ninguém vai roubar minha comida super trancada no meu novo frigobar. Quero ver o que a Paty vai fazer sem Pringles e meu estoque de Pepsi (ela que não gaste os R$ 15 dela não, fique ai).
Na verdade, o assunto de hoje não é o quanto eu odeio minhas cunhadas – em parte, sim – mas como eu consigo ser mais espontânea do que o necessário.
Trejeitos, manias… Totalmente inconscientes, que se não tivessem me falado, eu nunca teria percebido. Acho que passo tanta vergonha quando as pessoas falam, que eu prefiro que não falem. Que saco, vão arrumar o que fazer, cuidar das manias de vocês e da falta de educação, porque olha, tá feio.
Essa galera que acha que eu nasci pra ficar parada não sabe o que é emoção. Vou colocar todo mundo pra andar de patins sem joelheira na ladeira do funil, pra ver o que é bom, e ainda passar álcool iodado depois, porque merthiolate não arde.
Mencionei que desliguei meu celular, caso Marcos e Gustavo liguem pra me despachar Amanda? Saí de casa e deixei um bilhete: Não vou voltar, beijos. Cuidem da Amanda. Agora eles devem estar brigando entre si. Amo ser a mais velha.
Estou aqui na casa da Jéssica, podendo comer todo brigadeiro que eu quiser, e só tenho uma pessoa pra dividir, não um batalhão como seria lá em casa.
A Jê mora só, isso é maravilhoso. Ás vezes o irmão dela vem pra cá, mas eu acho até bom. Ele é bom de se olhar, só digo isso… E acabo de lembrar que tenho uns projetos pra finalizar. Falta pouca coisa, mas… É chatinho do mesmo jeito.
E minha parceira de projeto tá pensando que é algum orixá no dique, porque nunca vi mais mandona. Não faz nada, e quer tudo pra ontem. Menos concorrência no mercado de trabalho, penso assim.
E no amor? Mais uma rodada de pessoas sem imaginação, que continuam olhando pra um parque e vendo só um parque. Patético.
Na próxima compro caleidoscópios e distribuo.