Escrito em 20 de novembro de 2012
É questão de ser e rir. Rir. Sempre dou risada de tudo. Minha família já não me leva mais em funeral, nem em nada, porque eu estou sempre rindo. É ‘Renata cala a boca’ ‘Renata isso’ ‘Renata aquilo’ que eu fico louca, e acabo imaginando se meu nome não fosse algo tão pronunciável. Percebi que não tenho apelido. As pessoas me acham tão criativa e engraçada nas piores situações, que pensam que não tem criatividade pra um apelido. Rê é tão cafona. Terminei com dois porque não aguentava mais como soava o ‘Rê’. Prefiro Renata. Mas quero um apelido…
Os namorados que não me ganharam pela cozinha, me perderam pela criatividade. É impossível me relacionar com alguém que olhe para um parque e só veja um parque. Um parque tem tudo, tem história. Aliais… O que não tem história? O plástico do seu celular tem uma história, seu fone de ouvido deve ter mais história que você, por exemplo. Aliais, porque ele sempre quebra? É incrível. Fone é ao mesmo tempo a melhor e a pior coisa criada pela humanidade. É bom se isolar do mundo e se livrar do homem ouvindo Pablo (nosso rei, só que não) ou ‘Rala a xana no asfalto’ ou de seus irmãos enchendo o saco… Mas pense na frustração de pegar o fone e um lado não funcionar? Ou de colocar certinho no bolso (bolsa, carteira, o escambau) e ele sair com um nó de marinheiro perfeito? Não tem Steve Jobs que dê jeito, fone sempre vai ser um problema.
Voltando à história das coisas, nunca se deve julgar um livro pela capa. Claro que uma capa mal feita sempre vai vender menos que uma capa bem editada. A história de um é uma, mas a do outro pode ser igualmente interessante.
Falando em história, eu não tenho uma cunhada insuportável. Eu tenho duas. Acho que isso explica toda a minha veia otimista, porque se não fosse assim, seria uma guerra. Patrícia e Karolynny. Namoral, eu tenho que parabenizar o homem que registrou Karol (prefiro chamar assim pelo excesso de pobreza). Segundo a enjoada dois, foi o ‘homem do cartório que fez isso, era pra ser Caroline). Não sou preconceituosa, mas ela tem um sotaque horrível, e os pais dela também. Não duvido nada ele ter colocado a grafia de proposito. Afinal, a letra ‘Y’ é chique, não? É o que diz a insuportável da ‘Paty’, que até hoje (depois do orkut) usa esse apelido nas redes sociais, e se acha o máximo. O caso é que as duas chegam lá em casa e acham que são mais filhas da minha mãe do que eu.
Uma vez eu cheguei em casa às cinco da manhã, e Patrícia estava dormindo no MEU quarto, com as MINHAS coisas, e com o MEU computador e MEU ar ligado. Meu irmão estava doente, e a Madre Teresa quis dormir lá pra tomar conta dele. Custava pegar uma porra de um colchão e dormir no quarto do Marcos? Não. TINHA que ir pro meu quarto, sabendo que eu ia chegar cansada e de madrugada. Sabe o que eu ouvi? Poxa Renatinha, alguém tinha que cuidar dele, não tenho culpa se você e o Gu saem e deixam ele aqui…Primeiro que ele tem 23 anos, estava com uma febrezinha de nada, e minha mãe estava em casa. Pra que namorada tomando conta NO QUARTO DO LADO (nem pra dizer que ia fazer coisa melhor no quarto dele) se tem mãe? Pra mim foi desculpa daquela bisbilhoteira pra olhar meus históricos de conversa. Depois disso, coloquei uma senha no meu computador. Ficou perfeita: patriciaevadia. Espero que Marcos nunca descubra.
Mas ninguém supera Karol. Namora o Gustavo tem cinco anos, e já está quase morando aqui. Cada dia trás uma coisinha. Dia desses, Gustavo comprou uma cama de casal alegando que era porque eu tinha uma e ele não. Mas claro, eu sou mais velha. Me pergunto sobre os pais dessa menina. Não, sério. Ela tem 18 anos, veio de um interior com um nome impronunciável para estudar aqui, e não mora com os pais desde então. Esse então é desde os 12. Primeiro começou como uma namoradinha do colégio. Rezei pra não ter que aguentar mais, e agora esse inferno ta quase morando aqui em casa. Ela que não arrume um apartamento com ele, fique ai. E que compre o Shampoo dela. O meu é caríssimo, gasto muito com o meu cabelo, principalmente depois da tintura que… a Karolzinha inventou de imitar. Tudo que eu faço, tenho, como, sei lá, acho que se eu me atirar no trilho do metrô de São Paulo (porque aqui em Salvador isso nem é ameaça) ela se atira.
Acho que vou colocar dois vidrinhos, um com água e um com veneno. Tomo o com água dizendo que é alguma porra pra a pele, e todos os meus problemas estarão resolvidos.
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