Eu só queria companhia pra comer sushi.
Não só pra comer sushi, mas pra poder conversar de madrugada no telefone, no skype, na rua em qualquer lugar.
Sou o tipo de pessoa que sempre fez tudo sozinha, sempre esteve sozinha, sempre se isolou... Mas ninguém nunca me perguntou se eu gostava de ficar só.
Eu sempre ligava pra as pessoas quando não aguentava mais, sempre... Mas... Quem me ligava?
Quem queria saber se eu tava bem?
E eu não estava nem aí se ligavam ou não, na verdade eu não percebia que eu era tão dependente da companhia alheia que qualquer coisinha errada era culpa minha, e eu aceitava.
As brincadeiras idiotas eu aceitava. E demorei pra perceber.
E quando eu não aceitava, a idiota era eu, que nunca revidava ou fazia parecido.
Quem ganhava apelidos com o sobrenome era eu.
Quem era chamada de machinho porque pegou um brigadeiro junto com os meninos era eu.
Quem era a oferecida por ter um melhor amigo homem era eu.
E caladinha eu estava.
Depois de passar por tudo isso eu criei aversão as pessoas. Criei sim, não gosto nem confio em ninguém. Não ligo mais, não procuro. E como eu parei de fazer amigos por conta disso, me apego demais as pessoas mais próximas, crio um cordão umbilical com elas.
Eu percebi que não consigo fazer as coisas sozinha sem ficar triste. Não consigo ir comer sushi sozinha, não consigo usar minha Nikon nova quando estou sozinha, não consigo assistir Forrest Gump sozinha. É difícil pra mim passar o dia inteiro só desde que eu me conheço por gente... É difícil não ter um irmão ou irmã pra conversar, um primo da minha idade, um amigo que more perto ou que não faça cerimônia em dirigir até aqui ou marcar de ir na dinha comigo (sem pessoas estranhas que eu não conheço/confio).
É duro pra mim.
Já me inscrevi em várias coisas pra tentar ocupar o tempo, mas de que adianta se no final do dia ninguém nunca vai me ligar pra saber se eu posso sair mais tarde ou pra ver se eu to bem, ou ir me dar um abraço... Porque eu amo abraços.
E pra mim, isso importa.

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