You (I) can’t make it feel right

Escrito em 29 de novembro de 2011 - Repostado


Looking at you makes it harder
But I know that you’ll find another

Sexta-feira, 18 de novembro.
Eu não podia conter minha excitação. Dois anos, vinte e quatro meses, 731 dias (ano bissexto), 17544 horas. Me aproximei de Roxanne e ela não elogiou meu cabelo platinado, como sempre fez. Na verdade, ela não me enxergou. Eu consegui voltar daquele lugar, e não ganhei um oi, um olhar, um nada. Como assim ela não me notou? Vesti o vestido que ela adora e trouxe as flores.
Me virei para apanhar o buquê que estava em cima da mesa.
Que porra é essa? Onde estão as rosas? Cadê Roxanne? Meu vestido?
Só enxergava a sala branca. A maldita sala branca que me aprisiona há 2 anos, com meus arranhões na parede. Minha blusa amarela suja de groselha e aquela mesa, com dois lugares e um esperando por ele.
Ele. Aquele de quem tive nojo durante todo esse tempo, que me tocava de modo sujo, aquele que me tirou todo o bom sentimento do coração, aquele que me ensinou a ser má e fria. E a tirar vida de pessoas.
Essa era a lei. Para sobreviver, trabalhava como assassina. E o que eu mais queria era ser a assassina dele.
Meu cabelo que antes era de um loiro platinado perfeito e vivo, agora parecia um branco cinzento. O anagrama tatuado na esquerda da minha cintura estava esticado pelo osso. Antes havia carne ali. Minhas unhas estavam amarelas e grandes. Eu não era mais Renata. Eu era a matadora. Que ironia. Matar para não morrer. Cogitei suicídio. Cogitaram levar minha família.
Porque Rox estava lá? Porque ela sumiu? Como eu consegui sair?
O que é isso na minha blusa? Ferrugem? Cheirava como tal, mas era molhado. E esse espelho surgiu de onde? Não me lembro de ter deitado.
Meus dedos. Merda, meus dedos. Não consigo mexer. Meus olhos não estão assim, esbugalhados. eles não são assim. E quem é essa chorando? Rox? Ela voltou? Meu vestido agora está lá. Quem são essas pessoas? Eu não sei de absolutamente nada, quero chorar. Merda. O que ele me ensinou sobre chorar?
Só chora quem é idiota e fraco. Você quer ser uma fraca?
Não me lembro mais do rosto da minha mãe, do meu pai e do meu irmão. Só lembro da Rox. Mas… ela era loira ou ruiva? E o que é aquela flor no meu cabelo?
Eu não lembro o que é felicidade, eu não lembro o que é vida.
Eu só me lembro de como as pessoas são ruins. Do sangue, das vidas que eu tirei, e do rosto da primeira pessoa que eu matei.
Eu.

1 comentários:

  1. Oi, Camila! Posso dizer que a memória tem lá suas próprias razões e apegos na vida, não? Parabéns pelo texto! Com tempo, deixe sua impressão no meu http://jefhcardoso.blogspot.com Ficarei muito contente!

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